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GILBERTO GIL - Gilberto Gil With Os Mutantes (1968)

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Descrição

1968 é um ano impossível de entender sem contexto. No Brasil, o AI-5 estava prestes a ser decretado em dezembro — a ditadura militar fechando o cerco sobre artistas, intelectuais e qualquer voz dissonante. Caetano Veloso e Gilberto Gil seriam presos em dezembro daquele mesmo ano e exilados em Londres em 1969.

Nesse clima, Gilberto Gil gravou seu segundo álbum com Os Mutantes como banda de apoio — Rita Lee, Arnaldo e Sérgio Baptista — e arranjos de Rogério Duprat. O resultado é um dos documentos mais importantes do Tropicalismo: a fusão deliberada e irreverente entre o carnaval baiano, o frevo, o baião nordestino e o rock psicodélico britânico que dominava as rádios do mundo.

"Domingo No Parque" já havia sido apresentada no II Festival de Música Popular Brasileira e causado escândalo justamente por isso — Os Mutantes com guitarras distorcidas num festival de MPB, Duprat com arranjos de orquestra por cima, Gil com a voz enraizada na tradição baiana. Três mundos que não deveriam coexistir, coexistindo.

"Frevo Rasgado" abre o disco como uma declaração de intenções — energia carnavalesca com eletricidade. "Marginália II" e "Pega A Voga, Cabeludo" constroem sobre essa base um humor político que só funcionava como música porque não podia funcionar como discurso direto.

O disco não durou muito nas prateleiras do Brasil de 1968. Gilberto Gil estava preso meses depois. Os Mutantes continuariam sozinhos. Rogério Duprat seguiria arranjando para quem sobrou.

O que ficou é esse vinil — um retrato de uma banda e um movimento no exato momento em que o mundo deles estava prestes a acabar.

Lado A

  1. Frevo Rasgado

  2. Coragem Pra Suportar

  3. Domingou

  4. Marginália II

  5. Pega A Voga, Cabeludo

Lado B

 

  1. Procissão

  2. Luzia Luluza

  3. Pé Da Roseira

  4. Domingo No Parque